quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Ultimo Post!

Oi Blog! Nossa sinceramente eu estou envergonhada. Faz 3 meses hoje, que eu deixei o Canadá e desde então eu nunca mais postei. Verdade, pode ficar chateado comigo Blog, você tem o direito afinal de contas não é porque acabou meu intercâmbio que eu morri, certo? Afinal de contas eu continuo viva e as experiências não terminaram lá. Obviamente agora não haveriam motivos sólidos para eu continuar postando, mas sendo assim eu vou me agarrar nos motivos líquidos e vou postar pelo menos uma última vez. Muitas coisas aconteceram desde que voltei do Canadá e essas coisas não deveriam ser esquecidas, por que eu ainda quero rir muito delas futuramente.

As últimas semanas na terrinha do Maple Syrup foram tristes, trites pra mim e feliz para todos os meus amigos de lá e meus amigos daqui. Os de lá estavam felizes porque era começo do verão e todo mundo tinha viagens, festas e muita coisa boa planejada. Os daqui muito felizes e animados com a minha chegada, minha família então nem comentarei. Eu era a única triste. Tá bom não serei uma mentirosa tão dramática, eu estava um pouquinho ansiosa pra ver meus brasileiros preferidos, mas no fundo no fundo eu já sentia uma dor muito grande em saber que em breve eu estaria deixando o Canadá. Acho que a pior parte de um intercâmbio é partir. Quando você deixa sua família e seus amigos na sua pátria amada, uma lágrima certamente escorre, mas essa lágrima é de amor e da plena certeza de que haverá saudades. Já quando você deixa um país aonde você se conheceu, aonde você se encontrou psicologicamente, as lágrimas assim derramadas por ele são de terror, de medo, de angústia, essas sim são de um sentimento de quem sabe, que não pode ter certeza se um dia poderá voltar, e mesmo voltando nada será exatamente da maneira como se foi deixado. Eu sabia disso. Todos sabem. Quando deixei o Brasil chorei pelo amor que sinto por meus pais e minha irmã, chorei pela saudade que sentiria deles, mas eu sabia que eu iria revê-los em breve. Quando parti deixando o Canadá, as pessoas que conheci e a vida que construí lá, eu sabia que eu nunca mais teria aquilo denovo.

Foi amado. Meu intercâmbio foi amado, eu o amei completamente, inteiramente e profundamente de uma forma inexplicável e incomparável. Sei que já é complicado explicar amor diante à uma coisa concreta, como por exemplo uma pessoa, imagina então explicar o amor à um objeto totalmente abstrato, como por exemplo um ano. Eu definitivamente amei aquele ano.

Foi difícil deixa-lo. Eu estava completamente apaixonada. Como acontece uma ou algumas vezes na vida. Eu estava cega de amor. Amor, será mesmo? Não sei, não sei... Talvez nunca saberei. O importante foi que amei. Pelo menos na minha concepção de amar. Eu pensei que estivesse em um filme, como grande parte da minha vida gringa eu acreditava. Eu era a princesa e ele meu princípe. Fomos felizes no nosso conto de fadas, não sei ele, mas eu fui. Chorei muito, chorei como se não existisse mais vida após aquela. Afinal de contas cresci acreditando no “felizes para sempre”, logo agora que eu eu tinha eu contrado o “feliz” não foi justo o meu “para sempre” acabar tão depressa. Bem que a Cássia Eller avisou que “o pra sempre, sempre acabada”. Eu devia ter entendido isso antes. Mas foi bom, aprendi a sonhar e viver intensamente, afinal de contas tem que ser muito sonhador pra se deixar levar numa paixão com prazo de validade. Fui feliz nesse tempo, não me arrependo de nada do que fiz e é isso o que me deixa mais satisfeita.

Nunca pensei que eu poderia sofrer tanto. Sinceramente, eu já tinha uma idéia do que eu iria passar quando chegasse aqui e soubesse que não o teria. Estranhei tudo, minha casa, minha família, meus amigos, minha língua materna. Eu não gostava de nada, sempre muito insatisfeita, comparava tudo com o país desenvolvido de onde eu acabara de voltar. Comparava TUDO sem exeção. Até comparava a mim mesma, eu era tão mais bonita lá no Canadá, eu acho que era o amor. Derramei muitas e muitas lágrimas, até que não houvessem mais nenhuma pra chorar, todas se foram, mas eu me encarregava de beber mais água, pois assim eu teria mais água pra escorrer pelos meus olhos castanhos, quase pretos de luto. Eu não queria que as pessoas daqui soubessem da minha dor. Não seria justo com elas. Meu sofrimento não era por estar com elas denovo e sim por não estar com as que deixei no norte. E aquelas que deixei no norte eu já sabia que não mais as veria.

Durante as primeiras semanas eu não tive nenhum contato com ninguém de lá. Por problemas financeiros, cortaram o telefone da minha casa aqui, há mais ou menos um ano e nunca mais ligaram denovo. Com o telefone se foi a internet, e assim os moradores daqui ficaram sem nenhum meio descente de comunicação. Eu estava pirando, todo esse tempo sem falar com ele. Imagina ficar sem saber o que ele andava fazendo, com quem ele estava saindo. Será que estava se divertindo? Teria como? Se eu estava em tanta depressão, será que haveria como ele estar bem? Talvez sim, talvez não.

Consegui internet e então voltei a respirar melhor. Falava com ele todos os dias no MSN e o via na Webcam. Não era a mesma coisa obviamente, mas me fazia bem saber que eu não tinha vivido de ilusão e que ele realmente existia pra mim. Mas o tempo foi passando, e ele que já estava bem havia muito tempo, foi melhorando cada vez mais. Enquanto isso eu ia me afundando e afundando... fiquei doente. Doente de ciúmes, doente de paranóias. Ficava 24 horas por dia na internet esperando por ele, pensando nele, ouvindo músicas para chorar por ele. Ele saía com os amigos e eu ficava aqui. Se ele não entrasse eu me corroía, eu me martelava de pensamentos doentios e cruéis. Começei a ser muito mais ciumenta do que o normal aceitável. Passei a ser a pessoa mais desagradável possível. Até que um dia a resposta veio. Como toda ação tem uma reação, aconteceu. Ele começou a agir diferente, e é realmente muito estranho como as mulheres têm esse dom de saber quando algo está errado. Não sei explicar como, mas eu sabia que coisas ruins estavam pra acontecer pra mim. Ele ficou uma semana me evitando e sendo super frio. Descobri então que ele tinha ficado com alguém lá. Eu sinceramente não sabia como agir, eu não queria brigar com ele, porque eu já estava consada disso, e se brigassemos feio não haveria jamais uma maneira de se redimir, não saberíamos se nos veríamos denovo. Então eu deixei um recado avisando que eu ficaria fora da internet por alguns dias. Foram 6 dias de pura angústia. Dor, dor mesmo. Dor jamais sentida. A pior dor que se pode ter é aquela na qual não se tem certeza certamente aonde dói e não se sabe realmente o porque dói. Por que eu estava sofrendo? Teria sido o acontecido, uma traição? Teria sido um fato consideravelmente previsível? Será que eu estava exageradamente pensando que o mundo havia em fim desmoronado? Não sei dizer. Mas a raiva passou e alguns dias depois eu estava pronta para conversar com ele novamente. Com o tempo a ferida sarou, é lógico que ficou uma cicatriz, como todo corte que rasga profundo deixa uma cicatriz. Reflexos desses momentos de pura tristeza, raiva e solidão são sentidos até hoje, revolta muita revolta as vezes toma conta de mim, mas eu penso bem e resolvo esperar acalmar as coisas antes de tomar qualquer atitude premeditada. Eu continuo gostando dele, muito.

O tempo passou e foi minha vez de cair em tentação. E como uma boba jovem carente me apoixonei pelo primeiro doce de garoto que se interessou, ou melhor, pareceu se interessar. Pois é, e foi assim que mais uma vez eu me decepcionei com a raça masculina. Eu já deveria saber que os homens tem seus próprios interesses, eu já deveria ter aprendido a essa altura do campeonato que os homens jogam, e que se nós mulheres não jogamos também, nós perdemos. Perdemos a dignidade, o respeito, e o gatinho. Agente só perde enquanto eles ganham o que falar de nós.

É por essas e outras que eu as vezes penso em desistir, vejo as pessoas que namoram e eu não quero aquilo pra mim, mas eu também vejo os solteiros e sei que não quero isso pra mim também. Poxa será que não existe um meio termo? Mas sei que eu não seria capaz de ter um namorado pela metade, eu já não gosto de dividir coisas que se dá pra dividir como por exemplo um chiclete, imagina dividir o que não dá. Nesse caso na minha opnião não é dividir e sim compartilhar, e eu não aceito compartilhar homem. Tá bom tá bom.. tá chato. Vamos mudar de assunto.

Decidi então procurar um emprego. Meu sonho sempre foi viajar muito e falando inglês aumentam minhas oportunidades, procurei então um emprego num cruzeiro. Seria uma oportunidade perfeita pra mim, deixar minha casa mais uma vez e ganhar dinheiro fazendo oque eu mais gosto, viajando e falando inglês. Não consegui. Tentei então trabalhar no shopping, deixei uns vinte currículos e uma loja me procurou, fiz o teste e começei a trabalhar. Nunca pensei que trabalhar fosse tão chato, ficar 8 horas de pé, sem poder sentar um minuto se quer, dobrando roupas o tempo todo, e tentando vender uma roupinha horrível pra um cliente que era mais duro que pau de tarado. Também não deu certo. Depois disso tentei e tentei alguma coisa até que consegui encontrar um emprego que seria até que bom, porém eu não teria tempo para terminar a minha carteira de habilitação que eu já havia começado. Mais uma vez não deu certo.

Resolvi terminar a habilitação primeiro e depois que ficasse livre dela, eu poderia encontrar um emprego e me dedicar decentemente. Fiz todas as etapas da parte teórica, e passei na prova. Depois começei as aulas práticas. Eu adorava dirigir, eu aprendi bem rápido, até o instrutor admirou-se. A decepção veio no dia da prova prática. Acordei cedo, 6 horas da manhã, fui pra auto-escola, lá tinham mais outros 11 alunos que iam fazer a prova. Eu não estava com medo, nem um pouco preocupada, confiava tanto no meu taco, que eu sabia que ia passar de primeira. Rezumindo... Fracassei! Mais uma vez. Foi nesse momento que eu desabei de chorar, se a última vez que eu tinha chorado tinha sido por causa do Brad, chorei denovo mas dessa vez por outros motivos, ainda bem. Fiquei mesmo muito triste por ter reprovado. Não sei explicar o que aconteceu com toda aquela confiança. Sumiu na hora! Tremi tanto que meu pé não segurou a embreagem e deixei o carro morrer. Reprovada! Merda! Cara*(&(&%¨$%!!! Filho d*)7¨*%$!! Bom, foi minha culpa, que surpresa! Agora tenho que pagar outra prova. Não quero, mas tenho. O que já ia ser um processo super demorado, será agora mais ainda. Que azar! E eu ainda vou tirar carta de moto também! Ai ai ai.. Deus me ajude, viu!

Consegui um bico, ... bico não, seja fina, freelance... em fim, to trampando denovo, correria, chatice, mas temos que pensar no lado positivo de tudo né, pelo menos não vou mais ficar em casa esperando os dias passarem, vou estar em algum outro lugar esperando os dias passarem e fazendo isso ganhando uma graninha também, na qual será sempre bem-vinda.

Estou agora lutando contra minha conciência que insiste em me dizer que eu sou uma burrinha e que eu poderia estar ganhando bem mais do que isso e ainda ter final de semana pra zuar. Mas sabe de uma coisa senhora consiência, sua chata do car*&¨%# quando eu estava sem fazer nada a senhora vivia me enchendo o saco por eu estar perdendo tempo sem fazer nada, me chamava de inútil e covarde, agora a senhorinha não venha reclamar que eu não tenho mais final de semana e que você não tem mais tempo pra tomar sua cerveja.

O orkut me falou outro dia: pessimista é aquele que vê em toda oportunidade uma dificuldade, e o otimista é aquele que vê em toda dificuldade uma oportunidade. E entre o otimista e o pessimista, eu acho que escolho o otimista. Vou tentar pensar assim até que minha consiência me prove o contrário.

Não sou a mesma pessoa que eu era antes, hoje minhas decisões oscilam entre lados opostos e eu sempre me confundo com as minhas idéias. Não sou um fracasso completamente, mas também estou muito longe do sucesso. Não sei oque eu quero e isso me incomoda tanto, principalmente depois do que o Orkut me disse outro dia, que só é feliz aquele que sabe o que quer. Pois então eu serei feliz nunca.

Estou em busca da minha prória personalidade ainda, e está sendo muitíssimo difícil. As pessoas geralmente tem mania de sempre encontrar dificuldades na vida para que no fim possam contar suas hitórias com mais drama e aventuras, eu não estou precisando ser muito criativa, por que todos os problemas que eu precisaria inventar pra contar, eu já tenho de verdade, então não tenho que me preocupar com isso. Eu enquanto isso vou torcendo, ou rezando para que tudo melhore assim como mágica e que possamos em fim sermos felizes.